Após 40 anos foragido, condenado pela “Tragédia do Baldo” é preso em Mato Grosso

Uma ação conjunta entre as Polícias Civis do Rio Grande do Norte (PCRN) e de Mato Grosso (PCMT) localizou e prendeu, nesta sexta-feira (26), Aluísio Farias Batista, de 69 anos. Ele estava foragido há mais de quatro décadas e possui uma condenação definitiva de 21 anos de reclusão em regime fechado por um dos episódios mais marcantes da história potiguar: a “Tragédia do Baldo”.

A captura aconteceu no estado de Mato Grosso durante a Operação Resgate, após um intenso trabalho de inteligência que desbancou a vida dupla mantida pelo condenado.

O Crime que Marcou o RN

Na madrugada de 25 de fevereiro de 1984, em pleno carnaval de Natal, Aluísio conduzia um ônibus quando perdeu o controle do veículo na região do Baldo. O ônibus atropelou os integrantes de uma banda de música e os foliões de um bloco carnavalesco tradicional que desfilava pela capital.

O impacto foi devastador: 19 pessoas morreram e 12 ficaram gravemente feridas. Logo após o acidente, o motorista fugiu sem prestar socorro e nunca mais foi visto no estado.

A Investigação e a Identidade Falsa

O ponto de partida dos investigadores foi a única foto disponível de Aluísio, tirada no ano do crime. A reviravolta no caso começou quando a polícia descobriu que o pai do foragido havia falecido em Tangará da Serra (MT), em 2021, o que acendeu o alerta para o paradeiro do criminoso e deu início ao intercâmbio de dados entre a PCRN e a PCMT.

A investigação documental revelou os passos da fuga:

Em 1995: Aluísio chegou a emitir um documento de identidade em Mato Grosso usando seus dados reais.

Em 1996: Após a morte de um homem em Natal (RN), o foragido assumiu a identidade desse falecido.

Em 2021: Usando os dados da pessoa morta, ele renovou sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e continuava trabalhando normalmente como motorista.

A confirmação da verdadeira identidade do suspeito só foi possível graças ao cruzamento de dados cadastrais, análise minuciosa de documentos e técnicas de comparação facial.

O Momento da Prisão

Os policiais foram inicialmente ao local de trabalho de Aluísio, mas não o encontraram. Na sequência, a equipe se dirigiu à residência do idoso. Ao ser abordado, ele tentou manter o disfarce e se apresentou com o nome falso. No entanto, ao perceber que os policiais já tinham em mãos todas as provas de sua real identidade, ele confessou o crime e confirmou seu nome verdadeiro.

Aluísio foi conduzido à unidade policial e encaminhado ao sistema prisional para dar início ao cumprimento da sua pena.

Com essa prisão, a Polícia Civil do Rio Grande do Norte reforça seu compromisso com a justiça e com a preservação da memória das vítimas, provando que o tempo não é barreira para a aplicação da lei.

Denúncias: A população pode continuar colaborando de forma anônima e segura com as investigações da Polícia Civil através do Disque Denúncia 181.